A vistoria de locação é uma das etapas mais importantes na hora de alugar um imóvel. Mesmo assim, é comum que o inquilino receba as chaves, fique envolvido com a mudança e deixe o laudo de vistoria para depois.
O problema é que esse documento registra as condições em que o imóvel está sendo entregue e será uma importante referência durante a locação e também no momento da desocupação.
Por isso, não basta simplesmente receber a vistoria. É importante conferir se aquilo que está escrito realmente corresponde ao imóvel que você recebeu.
A seguir, entenda como funciona a vistoria de locação, o que observar e quais cuidados podem evitar problemas no futuro.
O que é a vistoria de locação?
A vistoria de locação registra as condições do imóvel no momento em que ele é entregue ao inquilino.
O laudo pode trazer informações sobre pintura, pisos, portas, janelas, instalações, louças, metais, móveis e outros itens existentes no imóvel, além de registros fotográficos.
Na prática, ele cria uma referência do estado inicial da casa ou apartamento.
Isso é importante porque, quando chegar o momento de desocupar o imóvel, será possível comparar as condições encontradas na saída com aquelas registradas no início da locação.
Por que é tão importante conferir a vistoria assim que você recebe as chaves?
Esse é um cuidado que pode fazer muita diferença durante a locação.
Bruna, que trabalha no setor de locação da Realiza Imóveis, explica que uma das principais orientações dadas aos novos inquilinos é justamente ler o laudo com atenção assim que recebem as chaves.
Isso porque podem existir diferenças entre o que está registrado no documento e aquilo que o inquilino encontra ao entrar no imóvel.
Imagine, por exemplo, que o laudo informe que a pintura está nova, mas você encontre marcas de uso nas paredes.
Ou que esteja registrado que a porta do banheiro possui chave e está funcionando normalmente, mas, ao chegar ao imóvel, você perceba que a chave não existe.
São detalhes que precisam ser informados.
Na Realiza, o inquilino é orientado a conferir a vistoria e, caso encontre alguma divergência, fazer a contestação dentro do prazo de sete dias adotado no processo de locação da imobiliária.
Ou seja: recebeu as chaves? Uma das primeiras tarefas deve ser comparar o imóvel com o laudo.
O que conferir na vistoria de entrada?
O ideal é percorrer o imóvel ambiente por ambiente, comparando o que você está vendo com o que está descrito.
Alguns pontos merecem atenção:
- condição da pintura e possíveis marcas nas paredes;
- pisos e revestimentos;
- portas, maçanetas, fechaduras e chaves;
- janelas e vidros;
- torneiras e registros;
- vasos sanitários e caixas de descarga;
- tomadas e interruptores;
- armários e móveis que façam parte da locação;
- louças, metais e outros itens existentes no imóvel;
- condições gerais de conservação.
Não se trata de procurar defeitos. O objetivo é verificar se o documento representa corretamente o imóvel que está sendo entregue.
Se estiver tudo de acordo, ótimo.
Se não estiver, é importante registrar a diferença.
E se o laudo disser uma coisa, mas o imóvel estiver diferente?
Essa é justamente uma das situações em que a conferência inicial se torna mais importante.
Se o documento informar, por exemplo, que determinada parede está com pintura nova, mas houver manchas ou marcas aparentes, essa divergência deve ser comunicada.
O mesmo vale para uma porta descrita como funcionando normalmente que apresenta algum problema, uma chave que deveria existir e não foi entregue ou qualquer outra diferença identificada.
Segundo a experiência da equipe da Realiza Imóveis, um erro comum é o inquilino perceber essas situações, mas não conferir ou contestar a vistoria naquele momento.
Passado algum tempo, quando surge uma dúvida ou necessidade de manutenção, pode ser mais difícil determinar se aquele problema já existia antes da entrada ou apareceu durante a locação.
Por isso, a recomendação é simples: encontrou algo diferente do que está descrito? Registre e comunique.
E se eu descobrir um problema somente depois de começar a morar?
Nem tudo pode ser identificado no primeiro dia.
Existem situações que só aparecem quando o imóvel começa a ser utilizado de verdade.
Uma caixa de descarga, por exemplo, pode parecer funcionar normalmente no primeiro contato e apresentar um problema alguns dias ou semanas depois. O mesmo pode acontecer com outros equipamentos e instalações.
Bruna explica que a equipe da Realiza também considera essa realidade ao analisar cada situação.
Por isso, perceber um problema depois do período inicial de conferência não significa que ele deve ser ignorado.
O mais importante é comunicar a imobiliária assim que ele for identificado, explicar o que está acontecendo e permitir que a situação seja analisada.
Problemas que surgem durante a locação podem ter origens diferentes e precisam ser avaliados individualmente.
Para que serve a vistoria de saída?
No encerramento da locação, o imóvel passa por uma nova análise.
A vistoria de saída permite comparar as condições atuais com aquelas registradas no início do contrato.
É nesse momento que o laudo inicial ganha ainda mais importância.
Se uma marca na parede, um risco no piso ou outro detalhe já estava registrado quando o inquilino entrou, existe um documento que demonstra essa condição anterior.
Da mesma forma, alterações ocorridas durante o período de ocupação podem ser identificadas na comparação.
Por isso, uma vistoria de entrada detalhada contribui para que a análise no final da locação seja mais clara para todos os envolvidos.
Desgaste natural é a mesma coisa que dano?
Não.
Um imóvel utilizado durante meses ou anos naturalmente apresenta sinais decorrentes do uso e do tempo.
Por isso, a comparação entre a vistoria de entrada e a de saída não deve partir da ideia de que absolutamente tudo precisa estar visualmente idêntico ao primeiro dia.
A análise considera as condições em que o imóvel foi entregue, o período de ocupação, as características de cada item e o que aconteceu durante a locação.
Situações provocadas pelo uso normal não devem ser confundidas automaticamente com danos causados ao imóvel.
Da mesma forma, quando existe um dano provocado durante a ocupação, ele pode precisar de reparação antes da conclusão do processo de desocupação.
É justamente por isso que um bom registro inicial faz tanta diferença.
E para o proprietário: por que entregar o imóvel bem conservado é importante?
A vistoria também é importante para quem está colocando um imóvel para alugar.
Uma das recomendações que Bruna costuma fazer aos proprietários é entregar o imóvel em boas condições de conservação e, sempre que fizer sentido, com a pintura renovada.
Existe uma razão prática para isso.
Quanto melhores e mais claras forem as condições em que o imóvel foi entregue, mais objetiva tende a ser a comparação no momento da desocupação.
Quando uma pintura já é entregue com muitas marcas de uso, por exemplo, fica mais difícil separar posteriormente aquilo que já existia do que aconteceu ao longo da nova locação.
Por isso, preparar o imóvel antes de colocá-lo para alugar e registrar corretamente suas condições ajuda tanto na apresentação para o futuro inquilino quanto na gestão do contrato.
Vale lembrar, porém, que o desgaste natural decorrente do uso do imóvel também precisa ser considerado na análise de saída.
A vistoria protege apenas o proprietário?
Não.
Esse é um dos principais motivos para o inquilino dar atenção ao documento.
Uma vistoria detalhada protege o proprietário ao registrar as condições em que entregou seu imóvel, mas também protege o inquilino ao demonstrar problemas, marcas ou desgastes que já existiam antes da mudança.
Imagine novamente o exemplo da pintura.
Se as paredes já apresentavam marcas quando o inquilino recebeu o imóvel e isso foi registrado corretamente na vistoria, existe uma referência documental daquela condição.
O mesmo raciocínio vale para portas, pisos, móveis, instalações e outros itens.
Por isso, a vistoria não deve ser encarada como um documento feito “contra” uma das partes.
Ela existe justamente para deixar mais claro o ponto de partida da locação.
O que fazer ao receber a vistoria do imóvel?
Na prática, alguns cuidados podem tornar esse processo muito mais tranquilo:
- leia o laudo completo;
- visite todos os ambientes comparando o imóvel com a descrição;
- observe principalmente pintura, portas, chaves, pisos e instalações;
- confira os registros fotográficos;
- registre diferenças que não estejam descritas;
- comunique a imobiliária dentro do prazo informado para contestação;
- guarde uma cópia da vistoria durante todo o período de locação;
- se algum problema aparecer posteriormente, comunique assim que perceber.
Pode parecer um detalhe no meio de tudo o que envolve uma mudança, mas alguns minutos dedicados à conferência podem evitar muitas dúvidas meses ou até anos depois.
Vistoria bem feita traz mais segurança para todos
A vistoria de locação não é apenas mais uma etapa burocrática antes da entrega das chaves.
É o registro que ajuda proprietário, inquilino e imobiliária a saberem em quais condições o imóvel começou a ser ocupado.
Para quem está alugando, a principal dica é simples: não deixe para ler depois.
Receba o laudo, entre no imóvel, confira cada ambiente e veja se aquilo que está descrito corresponde ao que você realmente encontrou.
E, se surgir algum problema ao longo da locação, comunique.
Quanto mais claras estiverem as informações desde o início, mais tranquilo tende a ser todo o processo, inclusive quando chegar a hora de devolver as chaves.
Na Realiza Imóveis, a equipe de locação acompanha proprietários e inquilinos durante as diferentes etapas do contrato, buscando tornar o processo mais claro e seguro para todos.
